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Qui, 05 de Janeiro de 2012 16:08

Satélite brasileiro em 2014 sem dependência de fora

Escrito por  Da Redação
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O general Celso José Tiago, subchefe de Comando e Controle do Ministério da Defesa, afirmou durante apresentação no Congresso Latino-americano de Satélites, realizado ano passado, que o projeto de construção do Satélite Geoestacionário Brasileiro em curso visa atender ao Plano Nacional de Defesa e à Estratégia Nacional de Defesa, instituídos pelo governo em 2009, e deve envolver necessariamente o total controle operacional e tecnológico por parte de brasileiros.

O general defende que o satélite brasileiro seja criado pela Telebrás porque não há justificativa, segundo ele, para que o país fique sem controle sobre suas comunicações militares e, além disso, continue pagando R$ 60 milhões por ano por uma faixa exclusiva do satélite, chamada Banda X, à Star One, empresa da Telmex/Embratel, pertencente ao magnata mexicano Carlos Slim. De acordo com o general, a economia no aluguel pagaria o custo do satélite em pouco mais de dez anos. 

Os satélites geoestacionários são instrumentos que voam a 35.786 km da Terra, no plano da Linha do Equador, e, por se deslocarem com a mesma velocidade do nosso planeta, ficam como que estacionados sobre um mesmo ponto da superfície terrestre. Este fato permite que esses instrumentos cumpram um papel importantíssimo nas comunicações do país.

 Apesar de não ter completado o domínio da tecnologia de produção de satélites, o Brasil já possuiu satélites geoestacionários no passado. A primeira geração de satélites brasileiros geoestacionários começou com o satélite Brasilsat A1, adquirido no exterior e orbitado em 1985. Vários outros vieram depois: Brasilsat A2, em 1986; Brasilsat B1, em 1994; Brasilsat B2, em 1995; e Brasilsat B3, em 1998. Todos eles pertenciam à Embratel quando era estatal.

Com a privatização da empresa em 1998, todo esse patrimônio público foi apropriado pelo grupo de Slim. As Forças Armadas, além de perderem o sigilo e a segurança de suas comunicações, passaram a pagar a uma empresa estrangeira pelo uso dos satélites que antes pertenciam ao Brasil. Em 30 de setembro passado, ao assinar a MP que cria um regime especial de tributação para as empresas nacionais do setor de defesa, a presidenta Dilma frisou que “é fundamental que as nossas Forças Armadas tenham um sistema de comunicação próprio, um sistema de comunicação que não dependa de satélites de outros países”.

Segundo o Ministério da Defesa, o projeto de criação de um satélite sob controle nacional para uso militar se justifica porque envolve o monitoramento de uma gigantesca área de fronteira que cobre 27% do território nacional (como comparação, isso é o dobro da área de fronteira dos EUA), a Amazônia, o espaço aéreo brasileiro e, sobretudo, as fronteiras marítimas. Ou seja, o satélite terá que atender a complexos planos de monitoramento e defesa que envolvem Exército, Marinha e Aeronáutica. A previsão é de que o primeiro satélite do projeto seja lançado em 2014.

A Telebrás deverá receber recursos da União para adquirir os componentes de empresas nacionais para a construção do novo satélite. Além disso, uma subsidiária da estatal deverá se associar a uma empresa de capital nacional para absorver toda a tecnologia utilizada na construção do satélite. O Brasil deverá adquirir também todo o controle sobre a operação do sistema.

A formatação dos planos e necessidades do Exército já estaria mais adiantada, segundo o general Tiago, mas ainda falta finalizar os planos da Aeronáutica e Marinha. Tudo isso, segundo ele, passará pelo acompanhamento da Agência Espacial Brasileira (AEB), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, e deve envolver necessariamente o total controle operacional e tecnológico por parte de brasileiros e a transferência de tecnologia às empresas brasileiras. Segundo o coronel Marcelo Franchitto, do Instituto de Aeronáutica e Espaço, que também participou dos debates, toda essa capacidade precisará estar disponível de forma integrada.

A participação do Ministério da Defesa, da Telebrás e da Agência Espacial Brasileira no projeto significa também que os satélites geoestacionários brasileiros passarão a compor um capítulo especial do Programa Espacial Brasileiro, que agora inclui as telecomunicações por satélite.

Segundo a Agência Espacial Brasileira, este primeiro satélite de comunicação a ser lançado até 2014 poderá até ser adaptado para o foguete lançador Cyclone 4, que está sendo projetado e construído pela Alcântara Cyclone Space, empresa binacional Brasil/Ucrânia. O Cyclone 4 tem capacidade para satélites de até 1,7 tonelada. Segundo a binacional, com o orçamento previsto pelo Brasil (cerca de R$ 710 milhões), é possível construir satélites com este peso que atenderão perfeitamente à capacidade militar e civil do SGB. Se isso for feito, os satélites poderão ser lançados no Cyclone 4, o que garantiria também ao Brasil a possibilidade de absorver plenamente, inclusive, a tecnologia de lançamento.


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